Ser homem não foi algo que aprendi cedo, e durante muito tempo eu nem percebi isso. Eu achava que estava tudo dentro do esperado, que as dificuldades faziam parte da vida e que o amadurecimento viria naturalmente com o tempo. Eu crescia, assumia algumas responsabilidades, resolvia problemas práticos e seguia acreditando que isso, por si só, já era aprender a ser homem.
Olhando para trás, vejo que eu confundia idade com maturidade. Achava que bastava o passar dos anos para que tudo se encaixasse. Só que a vida não funciona assim. O tempo passa, mas a formação não acontece sozinha. Muitas coisas que eu deveria ter aprendido cedo ficaram para depois, e esse “depois” acabou cobrando seu preço em decisões mal pensadas, em relações mal conduzidas e em uma sensação constante de estar sempre correndo atrás.
Eu entrei na vida adulta carregando hábitos, medos e imaturidades que nunca tinham sido confrontados. Quando surgiam situações mais difíceis, eu reagia como dava, muitas vezes no impulso, outras vezes evitando o confronto. Não era falta de vontade de fazer o certo, era falta de clareza. Eu não tinha aprendido a parar, pensar e sustentar uma decisão até o fim.
Com o tempo, comecei a perceber que essa ausência de formação inicial deixava marcas. Eu demorava para assumir compromissos, fugia de conversas difíceis e adiava responsabilidades importantes. Tudo isso parecia pequeno no dia a dia, mas, somado ao longo dos anos, criava uma vida desorganizada por dentro. Por fora, eu até conseguia manter uma aparência de normalidade, mas por dentro havia sempre algo fora do lugar.
Foi só mais tarde que comecei a entender que aprender a ser homem exige intenção. Não acontece por acaso. É um aprendizado que envolve reconhecer limites, aceitar frustrações e assumir consequências. E isso não é confortável. Crescer de verdade exige abrir mão de certas ilusões, inclusive da ideia de que alguém vai resolver as coisas por nós.
A fé, mais uma vez, entrou nesse processo de maneira muito concreta. Ela me ajudou a enxergar que o amadurecimento não é apenas psicológico ou social, mas também moral e espiritual. Aos poucos, fui entendendo que a vida adulta pede coerência entre o que se acredita e o que se vive. Não dá para separar as coisas sem pagar um preço alto depois.
Hoje eu entendo que não ter aprendido cedo me atrasou em muitos aspectos, mas também me obrigou a assumir esse aprendizado mais tarde, de forma consciente. Não foi fácil aceitar que eu precisava reaprender coisas básicas, mas foi libertador perceber que nunca é tarde para começar a fazer do jeito certo. Ser homem, para mim, passou a significar esse compromisso diário com o crescimento, mesmo quando ele vem acompanhado de desconforto.
Se eu tivesse aprendido isso antes, talvez alguns erros tivessem sido evitados.
Mas cada etapa tem seu tempo, e o mais importante foi reconhecer que aprender a ser homem não é algo automático. É uma escolha que precisa ser feita, sustentada e renovada todos os dias.